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A Insustentável Leveza dos Sentimentos

June 29, 2017

 

Haverá algo em comum entre o acto irreflectido do Salvador no evento solidário e a manifestação sentida da Srª Ministra durante a audiência com a comissão parlamentar?

 

Se o Salvador estivesse de facto de corpo e alma nesse evento acredito que nunca tivesse tido sequer a tentação de fazer tal acto. Estaria com uma presença inspirada pela missão do evento, inspirado por uma missão profunda, não apenas por pena dos que morreram mas sobretudo por uma compaixão profunda por aqueles que sobreviveram e a quem de facto se destinava aquele evento. Aos que sobreviveram iria dedicar a sua música “Amar pelos dois” não apenas com o seu jeito delicodoce e talvez (ainda) superficial de a interpretar mas talvez de forma mais profunda e sem tentações de actos despropositados ao momento. Possivelmente, mais do que nunca, esta música fazia todo o sentido, pois muitos dos sobreviventes ficaram por força das trágicas circunstâncias a amar por dois e até por mais, até ao resto das suas vidas. Se o Salvador conseguisse estar ao nível dos seus sentimentos mais profundos talvez não precisasse de “sempre falar duas vezes antes de pensar” tal como ele referiu no seu pedido de desculpas. Acredito que o Salvador esteja a sofrer pelo seu acto irreflectido. Não sei se compreenderá a razão.

 

A Srª Ministra também está a sofrer. Antes de ser ministra é uma pessoa, tem sentimentos. Confesso que não me sinto muito confortável como português a ver os nossos governantes a chorarem e a abraçarem-se nas situações extremas, dizendo que tudo foi feito quando percebemos que o tudo ficou muito aquém do que seria desejável. Preferiria vê-los com uma determinação inspirada, solidária, sim, mas a liderarem, com um sentido de missão profunda, actuando sobretudo previamente para que houvesse uma melhor preparação às reacções instantâneas que estas situações extremas exigem, sem hesitações, sem culpas, fazendo tudo o que estava de facto ao seu alcance para atenuar previamente as trágicas consequências que estes eventos sempre provocam.

Talvez porque durante o exercício do seu mandato a Sr. Ministra não tenha estado inspirada por aquilo que será de facto a sua missão mais profunda enquanto líder de um ministério tão sensível, ela esteja agora a sofrer. Tem trabalhado seguramente muito em assuntos urgentes e importantes e, apesar de todo esse esforço, vê-se agora confrontada com estas consequências tão trágicas, sobre as quais nem está sequer a conseguir apurar as causas, identificar-se-à com o problema, sente-se talvez culpada e também por isso estará a sofrer. 
A sua missão mais profunda enquanto ministra é tratar de assuntos não urgentes mas importantes. A sua missão mais profunda é assegurar que tudo estará pronto a funcionar caso aconteçam estes incidentes tão imprevisíveis e repentinos. Não ter esta noção é viver na superficialidade dos acontecimentos e dos sentimentos.

 

E nós, espectadores de tudo isto , como reagimos ao acto do Salvador? E ao sofrimento da Srª Ministra? Rimo-nos? Culpámos? Julgámos? Chorámos? O que sentimos? Sentimos pena deles? Sentimos compaixão por eles? Estaremos gratos pela oportunidade que nos deram de aprendermos com os erros deles? Aprendemos?

E se aproveitássemos estes momentos, nós também, para aferirmos a nossa maturidade sentimental? Sem julgamentos instintivos. Usando o livre arbítrio que nos assiste enquanto seres humanos e que nos distingue dos animais irracionais. Reflectindo e com isso compreendendo a profundidade dos nossos sentimentos, aprendendo a crescermos enquanto seres humanos. Procurando descobrir qual é a nossa missão e se estaremos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para cumprir bem com essa missão.

As situações extremas revelam o estágio de maturidade em que nos encontramos. É nos momentos em que temos que decidir de uma forma praticamente instintiva que revelamos a profundeza dos nossos sentimentos e das nossas certezas. Mais do que as nossas palavras. Esses momentos ajudam-nos a medir a nossa maturidade sentimental.

 

A superficialidade dos nossos sentimentos fazem-nos sofrer, têm consequências e é um sofrimento que se torna colectivo. É insustentável, tenhamos ou não consciência disso. Queima-nos por dentro.

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